03/08/2015

CRÔNICA #004 - Barulhos no Céu


Badala o sino na torre da Catedral de São Sebastião. Talvez sejam cinco horas da tarde, ou dezessete horas, como preferem os mais metódicos. Estou sem o celular, portanto, também não sei a hora exata. Nesse mundo moderninho não usamos mais relógio de pulso, o celular serve para quase tudo. Dizem que alguns até fazem torradas. Acabo saindo para caminhar pelo centro de Presidente Prudente sem meu smartphone.

Depois de resolver coisas que só se resolvem nos centros das cidades, sento-me em um banco de praça e passo a observar o movimento. Quem sabe surja uma inspiração para mais uma crônica. E não é que aparentemente deu certo. O soar do sino, uma única vez, faz-me olhar para o céu. Alguém desatento a sua redondeza não teria escutado o tinido. Continuo olhando para o céu. As nuvens seguem seu movimento, num céu azul simpático, digno de cidade de interior. Mas cidade média!

Pássaros flanam para lá e para cá. Pardais, pombos e outros bichinhos verdes com a cabeça vermelha que fazem a maior algazarra. E a medida que o tempo vai passando, mais e mais passarinhos pululam entre as árvores da praça. Em breve a noite vai cair. Agora é a hora da confraternização e de chalrarem por mais um dia desfrutado. 

Minutos depois um aviãozinho monomotor sobrevoa a área na maior zoada. Olho para o céu novamente. Olho para as pessoas na praça. Tem gente que olha para o céu, admirando-se com o aeroplano baderneiro. Uma vez me disseram que "é coisa de matuto olhar para o céu quando passa um avião" – alguns entenderão a assertiva substituindo o termo matuto por jeca. Bem, pelo menos é assim lá em Recife. Capital, muitos vôos. Boeing, Airbus, Embraer, muitas escalas para quem deseja ir ou voltar ao Nordeste. Todos já estão acostumados com o barulho. Praticamente ninguém olha para cima. Eu geralmente olho, vivi coisas boas olhando para o céu, tenho boas lembranças. Vim de Caruaru – mais uma cidade média – e lá dificilmente ouviremos os estardalhaços de alguma aeronave de grande porte outra vez. Afinal, que empresa arriscaria ter o trem de pouso afundado no pátio de manobras? Duvida que um avião já tenha atolado na Capital do Forró? Um não, dois! Pesquise na internet!

Anthony Almeida | 08.04.2015

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